Atendimento psiquiátrico à população prisional: cinco anos de experiência da Santa Casa de São Paulo no Centro Hospitalar do Sistema Penitenciário /Psychiatric assistance of prisoners: five years of experience of the Santa Casa de São Paulo at the Penitentiary Hospital

Lílian Ribeiro Caldas Ratto, Natalia Joelsas Timerman, Camille Chianca Rodrigues, Anne Kotlarevsky Maia, Ednéia Zanuto, Jaqueline Hatsuko Tamashiro Duran, Hélvio Geraldo Nunes Junior, Quirino Cordeiro

Resumo


Prezados Editores,

A taxa de transtorno mental na população prisional é particularmente alta. O primeiro grande estudo psiquiátrico epidemiológico brasileiro realizado com presos do Estado de São Paulo foi publicado neste ano de 2014(1). Seus resultados são alarmantes. Entre as mulheres, a prevalência de transtorno mental ao longo da vida foi de 68,9%, sendo que a prevalência no último ano foi de 39,2%. Entre os homens, a prevalência ao longo da vida ficou em 56,1%, e no último ano em 22,1%. Quando se tratou de transtorno mental grave, como transtornos psicóticos, transtorno bipolar do humor e depressão grave, a prevalência ao longo da vida e a prevalência no último ano foram de 25,8% e 14,7% entre as mulheres e de 12,3% e 6,3% entre os homens. Essas taxas são muito maiores que aquelas encontradas na população geral. Esse fenômeno tem múltiplas causas. Em geral, as prisões são insalubres, muitas vezes superlotadas, funcionando como agentes estressores na eclosão de transtornos mentais. Como há grande precariedade de assistência à saúde nas unidades prisionais é comum que presos que apresentavam transtornos mentais estabilizados quando foram presos descontinuem seu tratamento no cárcere, passando a ficar sintomáticos. Ademais, a desassistência na área de saúde mental, que campeia em nosso país, acaba favorecendo que pacientes portadores de transtornos mentais fiquem mais susceptíveis a entrar em conflito com a lei. Assim, os antigos manicômios vão dando lugar às prisões, que passam a custodiar os pacientes com transtorno mental.


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