A morte dessacralizada

Wilson Luiz Sanvito

Resumo


Escrever sobre a morte não é tarefa agradável, além do que o assunto espanta os leitores. Falar sobre o morrer, tema que beira o transcendental, é sempre um desafio. Efetivamente o morrer, essa situação-limite, adquire uma conotação sagrada porque permeia os confins entre a vida e a morte e nos remete a uma vereda escatológica. Existem algumas situações que nos colocam diante das ultimidades (termo utilizado pelo filósofo Julián Marias) de nosso projeto de vida: nascimento e morte. A morte é uma experiência profundamente humana e não um mero processo biológico, como a encaram muitos médicos. Tarefa complexa é definir morte. Tem-se tentado, desde a Antiguidade Clássica, formular uma definição de morte. Hipócrates, no século V a.C., assinala no De Morbis, 2º Livro, parte 5 o que segue: “Testa enrugada e árida, olhos cavos, nariz saliente, cercado de coloração escura, têmporas deprimidas, cavas e enrugadas, queixo franzido e endurecido, epiderme seca, lívida e plúmbea, pelos das narinas e dos cílios cobertos por uma espécie de poeira de um branco fosco, fisionomia nitidamente contornada e irreconhecível”. Esta é uma descrição impressionante, é um retrato da cara do morto não uma definição. Penso que a morte toca as raias do sagrado e, portanto, cai no terreno das indefinições

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