A comparação dos incomparáveis: a justiça da relação eu-outro de Lévinas como possibilidade da humanização do cuidado na área da saúde*

Débora Vieira de Almeida, Eliane Corrêa Chaves, José Henrique Silveira de Brito

Resumo


Neste ensaio filosófico pretendemos refletir como a concepção de justiça de Emmanuel Lévinas pode contribuir para a relação humanizada na área da saúde. De acordo com a filosofia levinasiana, o outro se apresenta ao eu como rosto (alteridade absoluta), exigindo uma resposta justa do eu. Para assistir o outro justamente, o eu profissional da saúde necessita recorrer aos seus conhecimentos científicos e técnicos e habilidades profissionais e humanas para cuidar daquele outro singular que exige sua assistência. Por mais que o eu se esforce para ser justo, para contextualizar seus conhecimentos universais às exigências da singularidade, não tem a certeza se suas respostas são justas, pois a proximidade do face a face é sempre transcendente. Com uma justiça que reconhece a alteridade como absoluta é possível falarmos em cuidados humanizados na área da saúde, cuidados que apesar dos conteúdos universais, não perdem de vista o singular que é alteridade.

Descritores: Ética, Equidade em saúde, Humanização da assistência, Assistência centrada no paciente, Relações interpessoais


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