Apendicite aguda na gestação

Mariana Dalaqua, Paulo Roberto Corsi

Resumo


Resumo Objetivo: Analisar as características clínico-cirúrgicas e complicações materno-fetais das pacientes com apendicite aguda na gestação. Material e Métodos: Foram analisados dez casos em um período de nove anos, de gestantes entre 19 e 31 anos (média 25 anos) com apendicite aguda submetidas a apendicectomia no Departamento de Cirurgia do Hospital Central da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (HC-ISCMSP), cujos dados foram obtidos a partir do levantamento de prontuários do arquivo médico do hospital. Quatro gestantes encontravam-se no primeiro trimestre de gestação, três no segundo e três no terceiro trimestre. Resultados: A evolução materna foi favorável em seis casos (60%), sendo que a complicação mais freqüente das laparotomias foi a infecção de ferida operatória (50%), ocorrendo um caso de broncopneumonia (25%), um caso de sepse (25%), um caso de coleção intracavitária (25%) e um caso de íleo adinâmico (25%). Houve três casos de perfuração apendicular. Não houve morte materna. Em oito casos (80%) as gestações prosseguiram normalmente, sem danos ao feto; em um dos casos em que houve perfuração (10%) ocorreu abortamento no 10º dia pós-operatório, e em outro caso de perfuração (10%), houve parto prematuro. O tempo de internação variou de 2 a 19 dias, com média de 10,5 dias, com tempo de internação superior para as mulheres com quadros complicados. O diagnóstico histopatológico foi confirmado em todos os casos. Discussão: Na casuística apresentada, três pacientes evoluíram com perfuração: exatamente as que chegaram ao hospital com história clínica com mais de 24 horas de evolução, fato que condiz com a literatura. Também foi mais prolongado o tempo de internação destas mulheres em relação àquelas com intervenção cirúrgica mais precoce, ressaltando a importância do diagnóstico e intervenção precoces para o bem estar do binômio materno-fetal. Duas das três pacientes que se encontravam no terceiro trimestre tiveram quadros de perfuração apendicular, confirmando os dados da literatura que afirmam ser o diagnóstico de apendicite aguda mais difícil nesta época devido às modificações anatômicas provocadas pelo crescimento uterino, que desloca o apêndice para cima e para o lado e dificulta o bloqueio do processo inflamatório pelo omento. O ultra-som foi sugestivo de apendicite aguda em apenas três casos, sendo que em um caso não mostrou alterações frente a um achado de perfuração apendicular com líquido livre na cavidade. O hemograma mostrou leucocitose em apenas 50% dos casos, com a propedêutica clínica mostrando-se superior na maioria dos casos. Conclusão: Nossa casuística confirma o que há na literatura a respeito das gestantes no terceiro trimestre de gravidez: devido ao atraso na manifestação dos sintomas, decorrente da própria idade gestacional, as complicações foram mais prevalentes que nas mulheres com idades gestacionais mais precoces. Nestas, a intervenção cirúrgica foi mais precoce, minimizando complicações.

Descritores: Apendicite, Gravidez, Abdome agudo, Estudos retrospectivos


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