Genética da dependência à cocaína

Nádia Cunha, Quirino Cordeiro, Stevin Zung, Homero Vallada

Resumo


Múltiplos fatores estão envolvidos na susceptibilidade ao desenvolvimento de dependência à cocaína, que é um transtorno mental caracterizado por apresentar uma complexa interação entre fatores genéticos e ambientais no seu desencadeamento. Esses fatores incluem desde diferenças existentes nos sítios de ação da droga, até processos psicológicos particulares que levam o indivíduo a usar a droga. O fato de não existir um padrão regular de transmissão genética afasta o modelo de herança mendeliana para a dependência à cocaína, no qual apenas um gene seria o responsável pelo aparecimento da condição clínica. Na realidade, o padrão de transmissão genética dos quadros de dependência química é complexo, envolvendo a participação de vários genes, que interagem entre si. Além disso, há também a contribuição dos fatores ambientais que levariam a pessoa a ter um primeiro contato com a droga, depois ao uso regular e posteriormente ao abuso. Esse mecanismo caracteriza o chamado transtorno de herança complexa (transmissão poligênica com interação ambiental). As estratégias utilizadas para o estudo do componente genético de quadros clínicos que apresentam herança complexa podem ser classificadas em abordagens genético-epidemiológicas e genético-moleculares. Assim, o presente artigo tem como objetivo apresentar e discutir os métodos utilizados e os resultados obtidos com as investigações genéticas na dependência à cocaína.

Descritores: Transtornos relacionados ao uso da cocaína/genética, Cocaína, Drogas ilícitas, Poliformismo genético


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