Efeito do 17β estradiol na remodelação vascular pósangioplastia em artéria ilíaca de coelhas

Patrícia Cabral Zacharias Serapicos, Christianne Guimarães Pereira Brazão Ferreira, Sofia Martins, Geanete Pozzan, Roberto Alexandre Franken, Yoná Afonso Francisco

Resumo


Introdução: Estudos experimentais sugerem que o estrógeno seja vasoprotetor em modelos animais de lesão vascular utilizando o cateter-balão, inibindo a proliferação celular da camada íntima, através de mecanismos ainda não totalmente estabelecidos. Em humanos, os efeitos do estrógeno incluem aumento da degradação de LDL colesterol, restauração póslesão do mecanismo vasodilatador dependente do endotélio, inibição da progressão da placa aterosclerótica, entre outros. Tais benefícios motivaram a Terapia de Reposição Hormonal (TRH) após menopausa, embora estudos recentes mostrem algum prejuízo. Objetivo: Avaliar o efeito do 17E estradiol na remodelação vascular pós-angioplastia em artérias ilíacas de coelhas castradas, comparando com o grupo sem tratamento. Material e métodos: Coelhas fêmeas adultas castradas foram submetidas a tratamento diário de 50mg/dia de 17E estradiol (grupo estradiol) ou óleo de amêndoas (grupo controle), por via subcutânea, 7 dias antes, até 14 dias após lesão de artérias ilíacas direitas com cateter-balão por angioplastia, sendo 14 animais pertencentes ao grupo estradiol e 15, ao grupo controle, num total de 29 coelhas. Após 14 dias da angioplastia, as coelhas foram sacrificadas por overdose de Thiopental a 20% e a artéria ilíaca direita (lesada), esquerda (não-lesada) e útero foram retirados e o útero pesado. Foram confeccionadas lâminas utilizando-se a coloração de Hematoxilina-eosina e Verhoff-van-Gieson e procedeu-se a análise morfométrica, em que, para cada secção de artéria, foram medidas área do lúmen, da camada média, da camada íntima e I/M ratio (razão íntima/média). Esses dados foram submetidos à análise estatística, em que valor de P<0,05 foi considerado significante. Resultados: A análise morfométrica mostrou que há aumento na área da camada íntima das artérias lesadas, o qual é reduzido nas coelhas tratadas com 17-E estradiol, com P=0,0015. O valor do I/M ratio foi maior para o grupo controle quando comparados ao grupo estradiol, com P=0,0002.O peso do útero das coelhas do grupo controle foi em média 5,86g, enquanto que no grupo estradiol, a média foi de 22,275g. Conclusão: O tratamento com 17E estradiol diminuiu a proliferação das células musculares lisas da camada neoíntima nas artérias ilíacas lesadas pelo cateter-balão. Estudos posteriores são necessários para a compreensão dos mecanismos envolvidos. A média dos pesos dos úteros mostrou que o tratamento hormonal praticamente quadruplica o peso do útero, indicando ter sido efetivo.

Descritores: Angioplastia, Estrogênios, Terapia de reposição hormonal, Doenças cardiovasculares, Artéria ilíaca , Coelhos


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