Aspectos emocionais do casal após falha nas técnicas de fertilização in vitro

Rafael Parizzi Veloso, Newton Eduardo Busso, Fabrício Maki Kawasaki, Marcelo Simonsen, Rafael de Lião Olivato

Resumo


Introdução: A infertilidade conjugal acomete 10% dos casais. Quando técnicas clínicas e/ou cirúrgicas não são suficientes para a obtenção da gravidez, lançase
mão das técnicas de reprodução assistida como a fertilização in vitro (FIV). A falha na realização deste procedimento acarreta uma série de reveses vivenciados pelo casal, como raiva, desamparo, ausência de controle e diminuição da auto-estima. Método: Nesta revisão bibliográfica foram avaliados
trabalhos recentes que abordaram o impacto emocional da falha da FIV sobre o convívio do casal e sobre cada um de seus membros individualmente. O
conhecimento sobre esta dinâmica permite o melhor acompanhamento da FIV. Discussão: Foi observado que aspectos psicológicos relativos à vida íntima e ao relacionamento do casal a busca da gravidez por motivos externos à paternidade
e a satisfação do parceiro levam a doenças psiquiátricas relacionadas a falha do tratamento. Quanto aos aspectos individuais, o otimismo revelou-se potente arma para prevenção destas comorbidades relacionadas à falha da FIV. O tempo prolongado de tratamento leva a insegurança e pessimismo. O aumento do número de falhas é diretamente proporcional ao aumento de crises depressivas intermitentes. A qualidade do relacionamento também é outro ponto-chave. Uma má qualidade exacerba as comorbidades em questão, do contrário, um bom relacionamento é fundamental para o sucesso da terapia. O diagnóstico de infertilidade gera instabilidade para o casal. Esses tendem a desenvolver impotência sexual, bem como rompimento e outras conseqüências.
Os sintomas das comorbidades relacionadas à falha da FIV ocorrem logo após a falha, sendo que os pacientes têm um aumento significativo de ansiedade
também inversamente proporcional ao número de filhos pregressos. O nível social é fator de bom prognóstico para as doenças associadas. Conclusões: Deve-se realizar um estudo minucioso dos fatores de risco dos casais sujeitos à FIV, para tratarmos precocemente estes pacientes, sem riscos de desenvolverem outras comorbidades. Porém, há uma falta de estudos relacionados a tratamento de distúrbios emocionais já consolidados. Conforme a
realidade econômica brasileira, um estudo econômico faz-se necessário.

Descritores: Fertilização in vitro/psicologia, Infertilidade, Falha de tratamento, Estresse psicológico, Fatores socioeconômicos


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