Parto cesárea como fator de risco de leucemia infantil / C section as a risk fator for leucemias

Milena Martello Cristófalo, Carina Pita Lottenberg, Rômulo Negrini

Resumo


Introdução: As condições de nascimento, em especial o parto cesáreo, impactam a curto e longo prazo a saúde infantil. Nesse estudo, tivemos como objetivo: Associar o parto cesárea a incidência de leucemias em crianças. Métodos: Trata-se de estudo observacional com pacientes dos Ambulatórios da Pediatria Oncológica, entre 0 a 14 anos, nascidos a termo, em tratamento ou acompanhamento por Leucemia Mieloblástica Aguda, Leucemia Linfoblástica Aguda, ou Leucemia Mielóide Crônica. A investigação sobre gestação e parto foi feita por meio de questionário, que aborda, após identificação do paciente, dados do diagnóstico e das condições de nascimento e parto das crianças. A incidência de parto cesarianas na amostragem foi comparada com as taxas brasileiras, segundo o DATASUS. Resultados: A taxa brasileira de cesarianas foi de 55,5% em 2016, enquanto nos pacientes estudados, 41,9% (IC 31,9-51,9) nasceram por cesarianas. Portanto, a incidência de cesáreas na população em questão é inferior à brasileira. Conclusão: A população estudada neste trabalho, crianças com diagnóstico de leucemia, não apresenta taxa de nascimentos por cesarianas superior à taxa nacional. Assim, a hipótese de que a taxa de cesarianas seria maior em uma população com diagnóstico de leucemia não foi confirmada. Portanto, apesar do que já fora proposto em estudos prévios não foi possível confirmar a associação entre parto cesariana com maior incidência de leucemia infantil. Novos trabalhos ainda são necessários para melhor entendimento da associação entre via de parto e diagnóstico de malignidades, especialmente populações com alta taxa de cesarianas.

Descritores: Cesárea, Trabalho de parto, Fatores de risco, Leucemia, Neoplasias, Criança

ABSTRACT

Aim: Birth conditions, in particular caesarean delivery, can impact on child health. In this study, our objective was: associate the cesarean delivery with incidence of leukemias in children. Methods: This is an observational study with outpatients from Pediatric Oncology Clinic, between 0 and 14 years old, born at term, undergoing treatment or having follow-up care due to acute myeloblastic leukemia, acute lymphoblastic leukemia, or chronic myeloid leukemia. The research of pregnancy and childbirth was done using a questionnaire, which addresses, after identification of the patient, data from the diagnosis and birth conditions. The sample’s cesarean delivery incidence was compared with the Brazilian rates, according to DATASUS. Results: The Brazilian cesarean rate was 55.5% in 2016, while in our sample, 41.9% (CI 31.9-51.9). Therefore, our incidence of Caesarean section is inferior compared to the Brazilian. Conclusion: The population studied, children diagnosed with leukemia, does not present a higher rate of caesarean birth than the national rate. Thus, the hypothesis that the cesarean rate would be higher in a population diagnosed with leukemia was not confirmed. Therefore, despite what has already been proposed in previous studies it was not possible to corroborate with the association between cesarean delivery and higher incidence of childhood leukemia. New studies are required to better understand the relation between delivery and diagnosis of malignancies, especially including populations with a high rate of caesarean sections.

Keywords: Cesarian section; Labor, obstetric; Risk factors;  Leukemia; Neoplasms; Child


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